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09/11/2011

O que Deus está nos falando:

A IDENTIDADE E OS RUMOS DA IGREJA

Somos cerca de 40 milhões de “evangélicos” no Brasil. Estima-se que exista hoje no Brasil, cerca de 188 mil igrejas evangélicas. Há uma nova configuração da igreja no Brasil, uma crise de identidade e precisamos discernir os tempos. Dentre as muitas denominações, existem muitas tendências e correntes eclesiológicas dentre as quais devemos destacar algumas a fim de refletirmos nossa igreja, sua identidade e seu rumo. Denominacionalismo dogmático: Igrejas históricas ou tradicionais baseadas no confessionalismo, grandes credos e confissões do passado, ênfase na chamada fé cristã histórica. Igrejas ritualísticas, com ênfase bíblico-teológica e doutrinária e prática missional. Pentecostalismo clássico. Igrejas que acreditam no batismo no Espirito Santo como uma segunda experiência e nas manifestações dos dons espirituais para os dias atuais. A experiência de falar em uma língua desconhecida vem de John Wesley,(Séc. XVIII) que ensinou que a santificação dos crentes acontece em uma segunda experiência. Com os cultos da rua Azuza em Los Angeles-EUA (Sec.XX) essa segunda experiência não se restringiu à santificação; o êxtase veio acompanhado de línguas estranhas. O movimento pentecostal clássico tem o seu inicio em 1901 e chega a 1950 com a ênfase na salvação pela fé em Jesus, santificação, batismo no Espírito Santo, manifestações dos dons espirituais e a cura do corpo por meio da simples oração e imposição de mãos. Foram predecessores e influenciaram o pentecostalismo clássico homens como George Whitefield, Jonathan Edwards, Charles Finney, Dwight L. Moody, John Wesley, Charles F. Parham, William J. Seymour entre outros. Influenciado pelos escritos de John Wesley foi que o então seminarista Mario Roberto Lindstrom daria inicio ao movimento de Avivamento Bíblico no Brasil. Neo-pentecostalismo. Surge na década de 70 com Igrejas caracterizadas pelo sincretismo e misticismo. Uma mistura de praticas do protestantismo, catolicismo medieval e religiões africanas. As igrejas neo-pentecostais são conhecidas pela forte ênfase em prosperidade financeira por meio duma espécie de barganha com Deus. Parte-se do principio que os desejos das pessoas são os pontos de partida da missão cristã. O bem estar pessoal e avanço individual são tidos como soberanos na vida das pessoas e são considerados como prova da benção de Deus. Em algumas de suas vertentes a igreja é vista como “business,” ou seja, uma espécie de negócio financeiro, empresa privada, gerenciada por um sujeito personalista, homem visionário, tornando a igreja um império privativo e suas unidades são abertas como se fossem franquias e tudo é tratado como uma empresa cujo fim é o lucro financeiro. Visão bastante pragmática, ou seja, o que importa são os resultados, os fins justificam os meios. São marcadas ainda pelo simbolismo ou pontos de contato de fé tais como rosas, sabonetes, água, lenços, cajados, cartazes e todo tipo de amuletos ou talismãs que são objetos ungidos aos quais são atribuídos poderes sagrados. Existem ainda várias outras correntes tais como as igrejas emergentes que estão chegando ao Brasil e a igreja informal, composta de pessoas desigrejadas, que estão saindo principalmente de igrejas neopentecostais, pessoas feridas e decepcionadas que não pertencem mais a nenhuma instituição eclesiástica. Esse grupo vem crescendo muito no Brasil e segundo o último censo do IBGE já são cerca de 4 milhões. A Igreja Evangélica Avivamento Bíblico nasceu e está situada no contexto do pentecostalismo clássico ou histórico. Sempre teve suas práxis, métodos, filosofia de atuação e conjunto doutrinário absolutamente comprometido com as Escrituras Sagradas. Sempre se orientou por uma teologia apoiada explicitamente na Palavra de Deus, corretamente lida e interpretada e não por experiência mística e subjetiva de quem quer que seja. Desejamos o crescimento da igreja de Jesus Cristo em todos os sentidos e estamos trabalhando para isso. Entretanto, não podemos jamais, movidos pelo desejo de crescer, em nome de termos melhores resultados numéricos de membros ou financeiros, ainda que o dinheiro para nós seja apenas um meio e não um fim, nos curvarmos às praticas do neo-pentecostalismo. Não podemos jamais nos deixar afetar pelo relativismo, pragmatismo, hedonismo e outros ismos da pós modernidade. Cremos em milagres e todas as manifestações do Espírito de Deus. O livro de Atos é cheio de histórias de milagres, a ponto de ser impossível lê-lo sem levar em conta os milagres. É difícil alguns aceitarem a idéia de milagres devido a uma visão de mundo moderno onde o universo é fechado, um sistema de causas e efeitos que pode ser explicado pelos princípios mecanicistas; como se o universo estivesse fechado a qualquer intervenção divina. O mundo está aberto à ação divina. Cremos num Deus ativo que se manifesta e altera leis e intervém no curso da natureza e o povo de Deus conta as grandes maravilhas que Deus opera em suas vidas. A igreja vive pela fé e confiança em um Deus que intervém em sua vida e sua história. Contudo convém observar que nenhum dos objetos empregados na Bíblia que fizeram parte do processo do milagre preservaram algum "poder" em si mesmos após o milagre ter ocorrido. Não retiveram qualquer propriedade miraculosa em si mesmos. Os lenços e aventais de Paulo tiveram um uso especial somente em Éfeso, e provavelmente somente durante um determinado período, ao longo dos três anos que o apóstolo passou ali. Os objetos estavam ligados à pessoa dos homens de Deus – Alguns dos objetos usados eram coisas pessoais dos homens de Deus, como a capa de Elias, o bordão de Eliseu, as vestes de Jesus, os lenços e aventais de Paulo e, num certo sentido, a sombra de Pedro. Eles foram empregados por isso. O alvo era mostrar o extraordinário poder de Deus sobre tais homens. Os lenços e aventais de Paulo não passaram pela imposição de mãos do apóstolo antes de serem levados aos doentes e endemoninhados. O que dava "poder" àqueles objetos era o fato de que pertenciam, ou foram manipulados, por pessoas sobre quem o poder de Deus repousava de forma extraordinária. Proponho que continuemos a edificar a igreja com alicerces sadios e bíblicos. Não visando apenas o crescimento numérico, mas também e principalmente o crescimento qualitativo dos membros. Mantenhamos a ênfase em oração, estudo sério e sistemático das Escrituras, comunhão, engajamento social e missionário. Preparemos e equipemos os obreiros com a mentalidade de uma igreja comprometida com os valores da fé cristã histórica que herdamos. Proponho que protejamos a saúde do corpo e que no processo evangelístico não apenas consigamos novas adesões ao rol, ou ajuntemos pessoas, mas encaremos o desafio de fazer DISCIPULOS DE JESUS, SEGUIDORES COMPROMETIDOS DE JESUS CRISTO mediante a pregação do autêntico evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Pensemos nisso. Pr. Onésimo F. da Silva Superintendente Regional Região Centro Oeste. Psicólogo e doutorando pela Faculdade Teológica Sulamericana de Londrina Presidente Prudente – Outubro de 2011



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