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07/11/2011

Poítica não é pecado - Parte 1

por Cícero Bezerra

"O maior castigo para quem não gosta de política é ser governado pelos que gostam". Arnold Toynbee, historiador inglês. O mundo e novo não sei se é admirável, mas podemos constatar que é novo, e as novidades não são novas, não querendo filosofar, mas já filosofando, a gestão do mundo moderno é feita por poucos como tem sido assim no decorrer da historia. O sistema é anticristão, anti Deus, as redes sociais mobilizadas para impactar o mundo com valores não cristãos. Leis contrárias, modo de vida contrários, aos valores do reino de Deus, se fala em uma nova ordem mundial, uma filosofia contrária à de Deus, mantida por intelectuais ateus e contrários aos princípios do reino de Deus. Nesse contexto a igreja fica alienada, alguém disse que a igreja chega, mas chega tarde. Diz a lenda entre as igrejas principalmente as evangélicas que política é pecado, com esse lema, vamos nos alienando, nos isolando, não atendendo as expectativas das pessoas, não exercendo a tarefa profética da igreja, não se posicionando e não trazendo os valores do reino de Deus para o mundo contemporâneo. Chegamos ao descalabro de termos uma igreja no Brasil que e a favor do aborto. Será que é igreja?... Esse livro tem a proposta de apresentar a política na sua verdadeira essência, não entraremos em abordagens partidárias, trabalharemos as questões conceituais, com objetivo de esclarecer aos leitores que política não é pecado, pecado é a corrupção a desonestidade, a roubalheira e as ações contra o povo. Política é a arte de gerenciar os povos. Dicas: Política não é para escravizar, mas para ajudar. Política não é pecado, pecado é corrupção, roubo e opressão. Política é para ajudar pessoas. Política visa o bem estar da sociedade. Os políticos cristãos devem ser honestos e comprometidos com o bem estar da sociedade. Os políticos cristãos devem ter a vocação para o serviço. Os políticos cristãos devem ser comprometidos com os valores do reino de Deus. A construção do pensamento ideológico Desde o princípio, o poder e a sua consciência estabeleceram-se como alicerce da civilização. Foi a partir do desejo de dominar, que o ser humano começou a organizar-se e a conviver socialmente. Para sobreviver, o ser humano foi criando, no decorrer dos tempos, estruturas de poder. E percebeu, nos primórdios da sua história, que apenas ele conseguia empregar esforços para alcançar resultados. As diversas concepções do poder se definiram, então, quando as pessoas passaram a usar de força e autoridade para viabilizarem a sua vontade. Não fugindo da regra, essa tendência foi transmitida à religião. Para melhor entendermos o “Poder Pastoral”, devemos fazer uso de uma leitura a respeito da ideologia e das suas implicações perante a sociedade. Quando examinamos a literatura relativa à noção de ideologia e à explicação do fenômeno ideológico, é difícil escaparmos do sentimento de que ela seja dominada por uma grande confusão. “As definições do termo são muito variáveis de autor para autor, e as explicações do fenômeno utilizam-se de princípios heterodoxos. Em resumo, no entanto, temos a impressão de que a mesma palavra serve para a descrição de uma variedade de fenômenos, e não de um apenas, de que as teorias da ideologia se opõem entre si sobre um objeto que definem de maneira diferente uma da outra, e de que o importante corpus que constituem tem, com frequência, a aparência de um diálogo de surdos.” [1] É fundamental, num contexto pastoral, estudarmos a respeito das formações ideológicas e suas construções temáticas devido ao fato de que o pastor é, na maioria das vezes, um formador de opinião, alguém que está de certa forma, transmitindo uma ideologia ou, por assim dizermos, apresentando um conjunto de crenças. O pastor deve entender a respeito da construção dos pensamentos. Como formador de opinião, ele precisa compreender as origens dos conceitos e as questões envolvidas e relacionadas com as ideologias. As análises ideológicas de que fala Mannheim consistem precisamente em mostrar de onde vem o que se diz, sem, no entanto, analisar o seu conteúdo. Alegam, a poder incluso, que deve ser revisada a tese de que a gênese de uma proposição precisa de importância para a sua verdade. Há, segundo ele, “uma forma legítima do argumento que formaria parte das formulações da sociologia do conhecimento.” [2] A descoberta das origens das ideias é o trabalho do pesquisador. Para encontrar os fundamentos que permeiam os pensamentos desenvolvidos pela sociedade moderna, o pastor não pode atuar ou exercer funções pastorais num vazio. Ele precisa interagir com a sociedade e ao mesmo tempo apresentar alternativas que venham causar impacto e fazer diferença no contexto em que ele estiver exercendo as suas atividades. Como definição inicial de “ideologia”, Rogers diz: “Uma ideologia é um sistema de pensamentos construídos para justificar e consolidar a posição de um partido político, uma classe social, um determinado grupo cultural ou uma instituição religiosa.” Num aspecto objetivo, pensar sobre ideologia é tentar diagnosticar um sistema de crenças, ao qual uma determinada coletividade adere e passa a viver e a decidir de acordo com os seus conceitos e propostas, levando em conta os aspectos culturais dos sujeitos e a sua capacidade de participarem dos eventos e situações criadas a partir da decisão. “Um dos diferentes enfoques do conceito ‘ideologia’ é o empirismo francês. Segundo os dados mais conhecidos, o termo começou a ser usado no final do Século XVIII. A citação mais conhecida é a de Destutt de Tracy, que denomina a ‘ideologia’ como uma ciência de ideias que explicaria a origem das mesmas e dos mesmos estilos em que a mecânica de Newton dava conta das partículas de materiais.” [3] A ideologia é inseparável do que é considerado conhecimento. Na maioria dos casos, o conceito de ideologia serve para distinguir o que é um verdadeiro conhecimento científico e social daquilo que não é. “É interessante notarmos que nisso se concebem visões tão desiguais como o marxismo estruturalista de Althusser e a preocupação cientista mais positivista de Bunge. O fato de reconhecermos que as relações sociais se filtram no próprio processo de conhecimento é também o ponto de partida do trabalho de Mannheim e a motivação para convertê-lo em matérias de uma disciplina específica: a sua sociologia de conhecimento.” [4] Vários sociólogos e filósofos trabalham com base em postulados construídos a partir de determinadas ideologias. No decorrer da história, homens têm lutado por suas crenças, e, com o passar dos anos, as suas propostas são reconhecidas ou até apagadas com o desenrolar dos fatos. A ideologia sempre estará latente, a menos que haja explicitamente a distinção entre as afirmações que as pessoas fazem acerca do social em que são faladas (e, portanto não constituem um verdadeiro conhecimento) e as que conseguem articular-se com as relações sociais e dão lugar à ciência do social. Por outro lado estará latente a boa prática científica dos que fazem as afirmações acerca do social. O vínculo entre a ideologia e o que se considera conhecimento é importante, não somente pelo interesse de uma boa ciência, mas também pelos aspectos persuasivos de alguns enfoques da ideologia. “Esta apela ao prestígio de conhecimento científico para dar força aos aspectos normativos do seu conteúdo. Isso afeta especialmente ao marxismo, quando é o fundamento de uma organização política. Nesse caso, persiste igualmente a dificuldade de estabelecer o que é conhecimento científico legítimo e o que não é.” [5] As ideologias religiosas são construídas a partir de conceitos próprios. No que diz respeito à religião, o sobrenatural será sempre considerado. O mistério faz parte da religião, assim como o ar faz parte da vida. A partir do mistério, o mágico é desenvolvido e o ser humano passa a envolver-se nessa dinâmica em que o oculto se destaca e o sobrenatural passa a ser o principal fundamento da ideologia religiosa. “A situação pastoral do homem latino-americano não somente abre o caminho para o uso de análises científico-sociais, mas também se preocupa com cada homem e com todo o homem. Ele conhece as suas ovelhas (as que estão dentro e fora do aprisco!) pelo seu nome, preocupa-se com a sua situação total e faz seu o programa de ‘servo sofredor’ (Lc 4.18,19), ‘seguindo o modelo de Jesus’. Ele se interessa pela libertação do cativo, do sedento, do nu e do faminto. Se interessa pelo cuidado do órfão, da viúva e do pobre; pela sanidade dos quebrantados de coração; pelo perdão dos pecadores e publicanos; pela restauração dos caídos; e pela ressurreição dos mortos. Portanto, a ação pastoral efetiva... permite-nos ver o homem latino-americano em toda a sua situação heterogênea, social e existencial.” [6] Nesse contexto, a figura pastoral tem um papel fundamental a ser exercido. O pastor deve ser aquele que orienta, ensina e apresenta propostas equilibradas a respeito da ideologia religiosa. O pastor não deve apresentar-se como um profeta revelador dos mistérios ocultos da humanidade, mas como um orientador que tem comunhão com Deus e está disposto a ensinar outros. “São estes os principais traços do conceito de ideologia: impacto da violência no discurso, dissimulação cuja chave escapa à consciência, necessidade de digressão pela explicação das causas. “Por estes três traços, o fenômeno ideológico constitui, para a hermenêutica, uma explicação limite. Enquanto a hermenêutica apenas faz com que desenvolvamos uma competência natural, nós temos necessidades de uma meta-hermenêutica para elaborarmos a teoria das deformações da competência comunicativa que envolve a arte de compreender, as técnicas para vencer a incompreensão e a ciência explicativa das distorções.” [7] Cabe ao pastor ser esclarecido nos aspectos fundamentais da hermenêutica para poder fazer uma leitura correta do contexto no qual está inserido como pessoa e também da comunidade que representa perante a sociedade, para compreender as tendências e perceber as necessidades. Aí se encontra o principal desafio pastoral. A partir do momento em que esses conceitos estiverem bem formados pelo pastor, ele poderá desenvolver e apresentar uma ideologia coerente com as Escrituras, que servirá como proposta de vida para os que forem verdadeiros cristãos. “Necessitamos na América Latina de uma ação pastoral que proclame um Evangelho de esperança libertadora para esse homem oprimido e alienado que mora ao largo de nosso continente – uma ação pastoral que o ajude a ver o horizonte de um novo amanhecer, uma ação pastoral que encarne o evangelho em feitos concretos, que cure, restaure e ajude o homem latino-americano a ‘arrancar... e destruir’, ‘arruinar e derrubar’ as causas objetivas, subjetivas, coletivas e pessoais de sua situação de opressão, e a ‘edificar... e plantar’ (Jr 1.10) uma sociedade que responda a qualidade de vida da nova ordem de Deus.” [8] A ideologia está vinculada aos fenômenos da existência social. O cotidiano precisa ser conceituado para poder ser estudado e aprimorado no decorrer da existência humana. Nesse ponto, as questões ideológicas nos ajudam com conceitos e normas estabelecidas pelos grupos participantes. Se for verdadeiro ou falso o que certas pessoas ou grupos de pessoas afirmam acerca de suas relações, a ligação entre o que são e o que dizem que são é algo que nos interessa. Devemos rever de alguma maneira o que a gente comum, por um lado, e os científicos, por outro, consideram como um dado de experiência. Roger diz: “A ideologia é inseparável do que se considera conhecimento. Na maioria dos casos o conceito de ideologia serve para distinguir o que é verdadeiro conhecimento científico do social do que não é. Sem uma clara ideologia não conseguiremos desenvolver um plano de ação coerente para causar impacto na sociedade.” O PODER E AS IDEOLOGIAS NUMA PERSPECTIVA PASTORAL Quando examinamos a literatura relativa à noção de ideologia e à explicação do fenômeno ideológico, é difícil escaparmos do sentimento de que ela é dominada por uma grande confusão. Na América Latina temos muitas respostas evangélicas experimentais a essa responsabilidade. Há numerosas agências evangélicas de serviço social que estão tratando, de uma ou outra forma, de ministrar às necessidades do povo latino-americano. Sem duvida, faz falta uma reflexão crítica pastoral sobre o significado dessa ação no contexto socioeconômico, político e cultural da América Latina; uma reflexão que analise o papel que à comunidade de fé compete desempenhar nessa situação; uma reflexão que absorva profundamente e examine os problemas pessoais e estruturais das pessoas, das famílias, das comunidades, cidades e países a quem servem as referidas agências, assim como dos problemas profundos da existência (vida culpa morte, etc.); uma reflexão que levante a pergunta de como introduzir o Evangelho feito carne em sua situação socioeconômica e cultural, ao nível de sua vida íntima e pessoal. ”[9] Numa abordagem interessante, Carlos Grzybowski (Catito) relata o seguinte: “O mundo vive hoje sob uma quase total hegemonia da ideologia econômica neoliberal. Certamente tal influência ideológica não se restringe aos âmbitos da economia de mercado, mas direta e indiretamente a mesma vai penetrando em outras áreas do conviver humano e modificando princípios relacionais, sutilmente levando a sociedade a um pensar uniforme e inquestionável – visto que tem a ‘aprovação’ da maioria... A ideologia neoliberal tem por marca dominante a competitividade... o aumento do desemprego, da fome e da miserabilidade; o enriquecimento absurdo de poucos em contraposição ao empobrecimento brutal de uma maioria; a sequela natural do aumento da violência na cidade e no campo; a perversidade ética dos que deveriam ser exemplo e legislar em favor do povo; a subjugação dos menos capacitados; e o reducionismo do sentido de existir à capacidade de ter e de acumular.” O Pastor e a sua compreensão das ideologias “O Pastor deve estar a par do desenvolvimento e formulação das origens e procedência das ideias. A problemática da ideologia tem lugar quando, mais que a verdade dos enunciados, ela cobra a importância do saber de onde provêm. As análises ideológicas de que fala Mannheim consistem precisamente em mostrar de onde vem o que se diz e em analisar o seu conteúdo. Alega a poder incluso que deve ser revisada a tese de que o gênesis de uma proposição precisa de importância para sua verdade. Há, segundo ele, uma forma legítima do argumento que formaria parte das formulações da sociologia do conhecimento.” [10] O fato de se saber as origens a respeito das ideias resulta no trabalho do pesquisador e em sua disposição de encontrar os fundamentos que permeiam os pensamentos desenvolvidos pela sociedade moderna. O pastor não atua nem exerce funções pastorais num vazio. Ele precisa interagir com a sociedade e ao mesmo tempo apresentar alternativas que causem um impacto e façam diferença no contexto em que ele estiver exercendo funções pastorais. “Uma ideologia e um completo sistema de pensamento e ação construído para justificar e consolidar a posição de um partido político, uma classe social, um determinado grupo cultural ou uma instituição religiosa”. [11] Num aspecto objetivo, o pastor precisa pensar sobre a ideologia e tentar diagnosticar um sistema de crenças que uma determinada coletividade adota, passa a viver, e usar como base para as suas decisões, de acordo com os seus conceitos e propostas. Ele precisa levar em conta os aspectos culturais dos sujeitos e a sua capacidade de participar dos eventos e situações criadas a partir dessas decisões. Há diferentes enfoques no conceito da ‘ideologia’. Há, por exemplo, o empirismo francês. Segundo os dados mais conhecidos, o termo começa a designar, no final do Século XVIII, um círculo de pensamento ilustrado francês. “A citação mais conhecida é a de Destutt de Tracy, que denomina o termo ‘ideologia’ como sendo uma ciência de ideias que explicaria a origem das mesmas, nos mesmos estilos em que a mecânica de Newton dava conta das partículas de materiais.” [12] A ideologia é inseparável do que se considera conhecimento. Na maioria dos casos, o conceito de ideologia serve para distinguir o que é verdadeiro conhecimento científico do social do que não é. “É interessante notar que nisto surgem visões tão desiguais como no marxismo estruturalista de Althusser e na preocupação cientista mais positivista de Bunge. O fato de se reconhecer que as relações sociais se filtram até mesmo no processo de conhecimento é também o ponto de partida do trabalho de Mannheim e da motivação para convertê-los em matérias de uma disciplina específica: sua sociologia de conhecimento.” [13] Vários sociólogos e filósofos trabalham a partir de postulados construídos com base em determinadas ideologias. Jesus quebra os paradigmas: Jesus não estava preocupado com as grandes instituições de sua época, não seguiu o modelo dos poderosos de sua época, pelo contrário, disse que o” o grande deve servir ao necessitado” Com sua mensagem Jesus dirige-se ao público, ao povo em geral. Mas para ele o estar voltado para o povo ainda não era o bastante. Nos evangelhos vemos um grupo de pessoas que lhe eram mais próximas. Este fato que observamos é esclarecedor para conhecermos sua personalidade, pois mostra que ele queria estar perto das pessoas, que não queria percorrer seu caminho como um grande solitário[...].[14] Sua proposta de vida era um grande contraste com as praticas autoritárias dos governantes. Seu principal interesse era capacitar aquele grupo de pessoas para darem seguimento ao seu projeto redentor da humanidade, a grande questão que se levanta entre seus contemporâneos é o fato de Jesus ser um mestre, “Rabi” ”Doutor da Lei”, mas seus interesses não estão voltados somente para o Estudo da Lei, mas sim, em conviver com o povo, se identificar em todos os aspectos com suas dores e seus anseios, que eram os mais variados possíveis. Os evangelistas também se preocuparam em deixar registrado que Cristo entendeu que o poder era uma dimensão perigosa e que necessitava ser redimensionada a partir do Reino de Deus. Já no início de seu ministério, ele lutou contra o diabo no deserto, e sua luta envolvia dimensões de poder. Na transformação das pedras em pães, foi desafiado a exercer poder que o preservasse; e no alto da cidade sua tentação foi de cunho ideológico-espiritual: que usasse o poder para o seu próprio benefício (Mt 4.1-11). Mais tarde Jesus refutaria a atitude dos discípulos, que viam no discipulado uma possibilidade de exercer autoridade. Declararia, então, que no seu reino o poder não seria exercido hierarquicamente de cima para baixo, mas no serviço (Lucas 22.24). [15] Jesus não pregou Igreja, mas Reino de Deus, que significava libertação para o pobre, consolo para os que choram justiça, paz, perdão e amor. Não anuncia uma ordem estabelecida; não convoca ao súdito a ser mais submisso humilde e leal; liberta para a liberdade e para o amor, que permite ao súdito ser súdito, mas livre, crítico e leal sem ser subserviente, e o detentor de poder servo, irmão e também livre de apetência de maior poder. [16] O povo pobre e sofrido torna-se o alvo principal de Jesus e sua estratégia de trabalho, consolo, conforto, acompanhamento, passam a ser estratégia fundamental para sua proposta, sua proposta para o escravo, tende a ver com a libertação do ser humano por “completo”, corpo, alma e espírito, existindo numa dinâmica de serviço a Deus e ao seu corpo. Jesus de forma nenhuma chama para uma escravidão conforme os modelos de sua época, o chamado e modelo, giram em torno da proposta de amor e liberdade, o escravo pode ainda ser escravo, mas ser livre, um paradoxo, que quebrava ou anula o modelo vigente na sua época. De maneira nenhuma Jesus propõe o poder do mais forte sobre o mais fraco, este era o modelo vigente, ao ponto de não se apresentar outra alternativa. Herodes, no entanto, empenhou-se por erguer sua realeza acima da instância do poder político e conferir-lhe uma aura religiosa. Fez isto, na verdade, de uma maneira que não podia deixar de parecer contraditória a todo fiel judeu e provocar-lhe a repulsa. Uma vez o rei foi ao encontro do sentimento judeu. Mandou reconstruir com renomado esplendor o templo de Jerusalém, o que aumentou o prestígio da cidade dentro e fora do país. Com isto ele edificou um reino que em sua grandeza lembrava o reino de Davi. Mas Davi era o protótipo do Messias. Por outro lado, no entanto, para Herodes a garantia da Paz, do bem-estar e da redenção não estava em Israel nem no Messias esperado, mas sim em Roma e no imperador universal, sobretudo Augusto. [17] O poder religioso na época de Jesus: O exercício do Poder na época de Jesus vem acompanhado com forte ênfase religiosa, deus e deuses, determinam o modo de vida de uma nação, quando o governante conseguia inserir este modelo, no seu governo tinha grande chance de ser bem sucedido, com o Judeu, está prática não funcionava, por seu Deus era outro, sua religião era outra, seu objetivo era servir ao Deus verdadeiro que enviarei seu redentor e libertador da escravidão. O modelo de Jesus tem mais a ver com o ser humano como um todo, onde se constrói uma mensagem a partir do cotidiano e a dinâmica existencial de cada um. No convívio com os discípulos [...] Uma e outra vez a Jesus lhe preocupa interpretar situações concretas com seus discípulos, em favor de uma capacitação na qual se mescla o espontâneo e o sistemático. Aproveita acontecimentos reais para perguntar-lhes: Que dizeis vós outros? E por meio de um sistema pedagógico bem claro os ajuda a compreender a situação. Em outros momentos, sem embargo, os chama: “Venham vós outros a parte.” Porque é necessário concentrar-se em oração, a reflexão e o pensamento profundo... Delega tarefas a eles e os envia de dois a dois para proclamar Sua palavra e a preparar o caminho para Ele. ... Se levarmos a sério a encarnação, teremos que reconhecer que Jesus Cristo, nas limitações que a carne lhe impunha, dá a tarefa pastoral uma série de matices e de condicionantes estreitamente vinculados com sua época com os problemas concretos que o toca enfrentar. [18] -------------------------------------------------------------------------------- [1] BOUDON, Raymond. A Ideologia. Editora Ática, São Paulo, 1989, p. 25 [2] ROGERS, Juan D. Ideologia e Conhecimento da Realidade Sócio-Econômico-Política. P. 196 [3] ROGERS, op. cit., p. 189 [4] Idem, p. 193 [5] ROGERS, op. cit., p. 193 [6] COSTA, op. cit., p. 94 [7] THOMPSON, John B. Ideologia e Cultura Moderna. Teoria Social Crítica na Era dos Meios de Comunicação de Massa. Petrópolis: Vozes, 1995 [8] COSTA, op. cit., p. 99 [9] COSTA, Orlando E. El Protestantismo en America Latina Hoy. Ensayos del camino. Publicaciones INDEF. Pasadena, Califórnia. 1975. P. 89 [10] ROGERS, Juan D. Ideologia e Conhecimento da Realidade Sócio-Econômico-Política. Pg. 196 [11] MARTÍNEZ, Pablo. Ser evangélico hoy, La Influencia del mundo en La Iglesia. Pg. 136 [12] ROGERS, op. cit. p. 189 [13] Idem. p. 193 [14] Idem. 155. [15] Ricardo Gondim RODRIGUES. O evangelho do Poder. In: No princípio era o Verbo. Curitiba-PR. Encontrão Editora. 1994.p.130 [16] Leonardo BOFF. Igreja: Carisma e Poder, Editora Vozes, Petrópolis RJ – 1982, pp.99 [17] GNILKA. op.cit.p.36 [18] COSTA, Orlando E. El Protestantismo en America Latina Hoy. Ensayos del camino. Publicaciones INDEF. Pasadena, Califórnia. 1975.p.92. Receba um abraço amigo! Cícero Bezerra Avenida Iguaçu 1700 Água Verde- Curitiba Paraná- Brasil CEP 80250-190 Fone 041 30 14 8375 041 96 047435 www.cicerobezerra.com ciceromeb@uol.com.br skype:cicerobezerra2



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