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07/11/2011

Família, um porjeto divino.

por Pr. Levi Camargo de Melo

A família é um projeto divino, uma idéia que nasceu no coração de Deus, executada por Ele mesmo. Foi um plano incluído dentro do projeto geral da criação, perfeito em todos os aspectos. A palavra família é de origem latina. É usada para definir um conjunto de pessoas que mantém um vínculo doméstico ou íntimo. Na perspectiva bíblica, a família é a mais antiga das instituições. Foi desejada e configurada como parte dos recursos à manutenção da vida. Distintos, porém semelhantes, desde a origem, homem e mulher precisavam um do outro para gerar filhos e governar o mundo, e também para atingirem o autoconhecimento e o pleno desenvolvimento do seu potencial de vida. ARGUMENTO BÍBLICO TEOLÓGICO Numa perspectiva bíblico-teológica, a família não é, como muitos pensam, meramente o fruto da necessidade biológica de perpetuar a espécie, nem somente a unidade econômica que sustenta os indivíduos e a sociedade, tampouco o meio mais efetivo de transmitir a cultura, muito menos o resultado de um contrato social ou o produto natural de duas pessoas que se amam. A família transcende a nós mesmos e tem origem no próprio Deus. A RUPTURA DO PROJETO DIVINO O terceiro capítulo do livro de Gênesis mostra-nos uma humanidade que violou as fronteiras traçadas pelo Criador. Isto resultou na experiência de distorção da imagem de Deus, mas não no seu desaparecimento. Em outras palavras, a essência da pessoa humana é afetada, truncada, distorcida. As conseqüências do pecado afetou a relação homem-mulher, trazendo consigo muitos conflitos. A mulher, antes vista como companheira, é agora a causa do problema (Gn 3: 12). O homem deixa de ser o companheiro que a escolheu e recebeu, conforme o projeto de Deus (Gn 2; 23). Agora ele transforma-se num ser acusador, incapaz de assumir sua responsabilidade e manejar sua autonomia. A diferenciação sexual, que tornava possível a complementaridade, que os aproximava, que permitia o reconhecimento e enriquecimento mútuos, que os fazia acima de tudo um casal, agora os separa, dissocia e desequilibra. A mulher fica dividida entre duas direções: uma que a atrai para seu marido (Gn 3: 16) e outra que a atrai para sua autonomia. O homem, por sua vez, tira vantagens da situação e explora a mulher, dominando-a. Até muda-lhe o nome: já não é mais Ishah (companheira, varoa), termo que destaca sua identidade (Gn 2: 23), mas Eva (mãe de todos os viventes), vocábulo que ressalta sua função (Gn 3: 20). A “utilidade” suplanta a “idoneidade”. A mulher passa a ser um meio para atingir um fim. A sexualidade é reduzida a sexo. O sujeito passa a ser objeto, e isso permeia toda a história. Podemos encontrar aqui as raízes profundas e históricas do machismo. A queda afetou as bases do casamento e da família. Desse momento em diante, vamos presenciar uma história de acusação, exploração, segregação, racionalização e projeção de problemas. Podemos observar isso mais claramente na estrutura de relações do casal e da família. Como alguém disse: “a primeira divisão da humanidade não foi entre senhor e escravo, burguês e proletário, mas entre homem e mulher”. CRISE NA FAMÍLIA CONTEMPORÂNEA As mudanças sociais ocorridas no século passado alteraram o antigo "desenho" da família. Os papéis dos componentes do casal já não são bem definidos. A família composta apenas de mãe e filho(s) se torna cada vez mais numerosas. Em nome de Deus, as pessoas tentam substituir o ideal divino por relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, se esforçam para sustentar e educar crianças, em uma busca desesperada para sobreviver como família, usando como apoio e justificativa para seus atos até textos bíblicos, porém, interpretados de maneira distorcidos e fora de seu contexto geral. Mulheres com independência financeira resolvem gerar filhos sem construir um vínculo conjugal, na forma de “produção independente”. Cônjuges separados se unem em novas núpcias, trazendo filhos dos relacionamentos anteriores, tendo filhos em comum e formando núcleos familiares bastante complexos. Outros pactuam viver comprometidos, porém, em casas separadas. Desta forma, afirmam os psicólogos, vêm ocorrendo disfunções emocionais, na maioria das vezes de origem relacional como: ansiedade, depressão e distúrbios variados, trazendo muitos problemas na sociedade contemporânea. Estará a família condenada ao desaparecimento? A família está sempre se transformando, não para desaparecer, mas exatamente para se manter em uma sociedade que não para de mudar. Diante desta realidade, que atitude os cristãos devem assumir? A maioria dos escritores bíblicos opuseram-se vigorosamente a forças que arriscassem a integridade e segurança da família, tais como as mudanças econômicas e a influência de culturas e religiões estrangeiras. A FAMÍLIA E O CONFLITO DE GERAÇÕES Em uma família, várias gerações estão presentes: avós, pais, filhos e netos. Isto significa a presença de variados pensamentos, conceitos e valores. O que pode produzir competição, conflitos e inveja.Tudo pode se complicar quando o antigo e o novo acabam coexistindo dentro da mesma casa. Os filhos querem viver da forma dominante de sua época e acompanhar os valores atuais; os pais geralmente acabam tentando se modificar para compreender a forma de vida da nova geração, sem abrir mão dos valores que eles trouxeram do lar no qual foram criados. E quando o avô ou avó moram na casa, as diferenças de gerações são ainda mais evidentes. Neste caso temos princípios que podem ser aplicados nos relacionamentos interpessoais, quando há atritos devido às diferenças de gerações: 1. Comunique o conflito. A Bíblia não recomenda o silêncio quando há problemas ou pecados. Mt 18: 15. “Vai arguí-lo ...” implica uma atitude, um movimento em direção ao ofensor, ao que está nos ferindo. O que acontece é que muitas vezes falamos do conflito a todos, menos à pessoa que realmente precisa saber. 2. Faça bom uso das diferenças. Se você puder entender a posição do outro apenas como uma posição diferente – nem melhor nem pior – a vida familiar ficará mais fácil e também mais rica e simples a convivência. 3. Faça diferença entre o essencial e o secundário. Secundário é aquilo que é de menor importância em relação a outrem ou a outra coisa; algo de pouco valor, insignificante, inferior. Daí a necessidade de se identificar e discernir os conflitos, porque, muitas vezes, a causa maior não passa de interesse pessoal ou coisa de pouca importância. A família sadia é aquela que doou a seus membros uma provisão para a vida e, ao mesmo tempo, permitiu a sua diferenciação; que permitiu que cada um vivesse a sua individualidade, sem abrir mão dos valores bíblicos (que são eternos) e sem esquecer de ensinar a fazer a diferença entre o essencial e o secundário. Uma geração deve aprender com outra, havendo assim, uma integração de gerações. CONTRA O INDIVIDUALISMO A maior parte da membresia das igrejas é formada por famílias e não meramente indivíduos. Assim sendo, deve estruturar-se tendo em mente a família e não somente o indivíduo. Por isso a unidade familiar deve ser considerada como o foco básico da missão e serviço. Famílias servindo a outras famílias, famílias evangelizando famílias. Homens e mulheres precisam um do outro por razões intrínsecas à sua constituição pessoal. Além disso, são atraídos física e emocionalmente de modo tão intenso, que encontrarão sempre uma forma de dar expressão a este desejo.. Por cumprir uma função vital de primeira ordem, ou seja, facilitar a sobrevivência da espécie, quebrar a solidão existencial e proporcionar ambiente capaz de garantir o crescimento das crianças, podemos supor que, conquanto mude constantemente sua configuração, a família tende a permanecer. FAMÍLIA ATRAVÉS DO CASAMENTO Segundo os planos de Deus, a família tem início com o casamento. Um homem e uma mulher, motivados pelo amor, se unem pelos laços matrimoniais. Mt 19:4 – 6. 1. O casamento é Heterogêneo. Somente duas pessoas de sexo diferentes – macho e fêmea – podem contrair matrimônio. Observe que o Senhor, ao instituir o casamento, diz: “Por isso deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn 2: 24). É impossível que as partes que se unem no casamento sejam complementares, se não forem de sexos diferentes. O Criador fez a mulher distinta do homem, para que ambos, juntos, pudessem realizar o que Ele determinou. A mulher tem outro modo de ser, de andar, de sorrir. Deus criou Eva para compartilhar com Adão as suas emoções e os seus afetos. Uma união homossexual é absurda e pecaminosa, e foge aos padrões de naturalidade e moralidade estabelecidos pelo Senhor. O homossexualismo, tanto na forma de pederastia (união de homem com homem) como na de lesbianismo (união de mulher com mulher) é conseqüência de uma sociedade afastada de Deus e sem Cristo. 2. O casamento é Monogâmico. Deus entregou uma mulher a Adão. Não viu o Senhor necessidade de que o homem possuísse duas ou mais. A união matrimonial deve ser um laço exclusivo e permanente. Um homem se une com uma só mulher. As relações sexuais promíscuas, a bigamia e a displicência ao romper casamentos são contrárias ao ideal e à vontade de Deus. 3. O casamento é Indissolúvel. Se o matrimônio constitui uma das mais sublimes formas das relações humanas, o divórcio tem que ser uma das mais tristes manifestações de fracasso e de pecado em tais relações. Se Deus odeia o divórcio (Ml 2: 16) e Jesus o denuncia (Mc 10: 9 - 12), a igreja não pode transigir no momento de reconhecer e proclamar que ele é sempre uma desgraça e uma manifestação da queda. Toda brecha que se abra no muro da família põe em perigo não somente a sua integridade, mas também a disposição mental, psicológica e sociológica de novas gerações. É notável a relação direta entre a delinqüência juvenil e casamentos em desarmonia ou praticamente desfeitos. PASTORAL DOS NOIVOS A igreja não pode deixar de refletir e delinear uma estratégia pastoral para este aspecto tão significativo da vida humana, que é o casamento. O noivado é o começo da aventura de companheirismo que deve chegar à sua plena realização no lar. A igreja deve oferecer oportunidades e momentos para a discussão honesta e ampla desses e de outros temas. Deve prover entrevistas, reuniões de jovens, de casais, etc., que ofereçam elementos de informação, assessoramento e reflexão, com vistas a um desenvolvimento do noivado e uma decisão pelo casamento bem consciente. Como conseqüência, nenhum pastor deve celebrar um casamento sem uma ampla preparação prévia do casal, com a adequada consideração dos aspectos que levam à saúde total e à plena realização da união matrimonial. POR UMA PASTORAL FAMILIAR PERMANENTE O trabalho pastoral não termina com o casamento. A relação do casal não é algo estático, que mantém as mesmas características para sempre. Ela atravessa distintos períodos, próprios da relação e da vida de cada um dos cônjuges. A igreja deve proporcionar ocasionalmente aos casais (seja em grupos, visitas familiares ou entrevistas) a oportunidade de refletir, encontrar respostas adequadas e fortalecer a relação matrimonial. Também é importante o acompanhamento de casais recém-casados, tanto pelo pastor como por grupos de casais da igreja que freqüentam. CONCLUSÃO Durante os tempos, a família tem se encarregado da tarefa de preservar os valores espirituais, éticos, morais e culturais. Apesar das suas imperfeições, ela ainda é um sustentáculo desses conceitos. Se não podemos exigir que esse propósito seja cumprido em famílias dos incrédulos, é desejável que seja realidade nas famílias dos verdadeiros cristãos. Os cristãos precisam escapar das formas e conceitos mundanos de família e se esforçar para fazer prevalecer a vontade de Deus, revelada na Sua Palavra. Não há instituição que substitua a família, no processo de socialização do indivíduo. Tudo o que é feito por outras instituições é de caráter complementar. O comportamento humano é constituído sobre os alicerces lançados na família. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe em Cristo Jesus. Pr Levi Camargo de Melo Bibliografia Pastoreando a Família, Revista Educação Cristã, Volume VII- SOCEP – 2005. E sua Família como está? Editora Cristã Evangélica, Ano XXVIII – Nº 3. Maldonado, Jorge. Casamento e Família. Uma abordagem Bíblica e Teológica. 2003. Editora Ultimato.



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